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Trabalho intenso prejudica saúde dos professores
Pesquisa realizada pela
Universidade de Brasília revela que os professores da rede pública DF estão
cansados, doentes e trabalhando demais, inclusive para suprir deficiências da
merenda escolar. Estudo feito em uma escola-classe de ensino fundamental (1ª a
4ª série) na Asa Norte mostra que o trabalho intensificado pelas mudanças no
comportamento da sociedade e políticas públicas ineficientes prejudicam a saúde
dos professores.
A dissertação A intensificação do trabalho docente na escola pública, defendida
pela pedagoga Sandra Jaqueline Barbosa, aponta que os pais transferem à escola o
papel de educar seus filhos e as instituições não estão prontas para isso. “A
famosa educação que vem de berço, não é mais o pai ou a mãe que dão, agora é
função das escolas. Os pais estão mais preocupados em suprir necessidades
materiais e acabam trabalhando muito”, explica a pedagoga.
Sandra verificou que os professores estão procurando auxílio no Sindicato dos
Professores do Distrito Federal (Sinpro/DF) muito mais por causa da saúde do que
para questões jurídicas. “Os professores estão apresentando sofrimentos
psíquicos pela intensificação do trabalho”, explica a pesquisadora. Um dos
diretores do Sinpro/DF, Ilson Bernardo conta que a demanda cresceu. “Tivemos que
abrir um espaço para atender a saúde porque os casos extrapolam o que poderíamos
considerar razoável”.
Outros problemas que intensificam o trabalho do professor são algumas funções
administrativas acumuladas sem adicional financeiro, atitudes de desrespeito dos
estudantes e seus familiares em relação à autoridade do professor, e ainda a
obrigação de captar recursos para a escola, como organização de festas juninas.
“A política de descentralização financeira propugnada pelos governos acabam em
uma busca de alternativa pelos professores de arrecadação de recursos”, explica
Sandra Jaqueline.
Sandra conta que, sem esse esforço extra dos professores para captar dinheiro,
até a merenda estaria ameaçada. A pedagoga conta que o governo repassa aos
colégios alimentos básicos que seriam intragáveis. Por exemplo, quando chega o
macarrão, ele não vem acompanhado de temperos. A saída é levantar dinheiro para
comprar os temperos. Os professores acabam realizando trabalhos paralelos junto
à comunidade que cerca a escola.
Metodologia
Para realizar a pesquisa, Sandra entrevistou sete professoras, seis delas com
mais de dez anos de experiência e uma com mais de sete anos sob o regime de
contrato temporário. Começou seu trabalho em março de 2007 e defendeu sua
dissertação em março de 2009. De maio a dezembro de 2008, Sandra Jaqueline
acompanhou as atividades desenvolvidas na escola e realizou entrevistas com as
professoras. Participou de reuniões de coordenação, reuniões com famílias,
oficinas para confecção de material para a festa junina, oficina de música,
atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem e outros trabalhos.
Outro ponto que contribui para o stress dos professores é a inclusão de alunos
com necessidades especiais. Apesar de ser um ponto positivo para a sociedade –
também seria para a escola – as instituições não estão preparadas para receber
essa demanda. “Há pais que podem pagar algum ajudante para cuidar seus filhos. A
escola não consegue dar suporte para todos os alunos inclusivos. O Estado tem de
garantir essas condições”, explica Sandra. Na maioria das vezes, a escola tem
apenas uma pessoa para acompanhar 19 alunos com alguma deficiência.
A pesquisadora diz que a saída seria uma reestruturação no sistema, como salas
de aula com menos alunos, mais servidores para ajudar os alunos inclusivos,
diminuição de carga horária dentro da classe ou aumento de horas para elaborar
os projetos, definir as avaliações e serem capacitados. “Hoje em dia é muito
trabalho e pouco tempo”, explica Sandra Jaqueline.
Fonte: UnB/02/02/2010.
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