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MAGISTÉRIO - PAIXÃO E MORTE
O estresse no trabalho docente
Provavelmente falar em morte seja exagerado, mas quero
enfatizar os perniciosos efeitos do estresse a saúde, assim, resolvi utilizar
uma palavra que atraia sua atenção para o texto.
Em principio, o estresse do professor, no Brasil, parece estar relacionado ao
salário não-digno, à precariedade das condições de trabalho, ao alto volume de
atribuições burocráticas, ao elevado número de turmas assumidas e de alunos por
sala, ao mau comportamento desses alunos. O professor sofre, ainda, com as
pressões de tempo, pressões dos pais dos alunos e de suas preocupações pessoais
extra-escola.
O magistério é uma atividade que facilmente reproduz viciados em trabalho. É
comum desenvolver-se compulsão de trabalhar demais e sem limites de hora e
espaço. Senão, vejamos algumas situações e sentimentos clássicos no trabalho
docente: levar trabalho para casa, não conseguir falar de outro assunto em
situações de intervalo ou fora do ambiente de trabalho, sentir-se mal pela
possível retenção de um aluno, buscar meios de atender aos alunos
individualmente, elaborar provas extras para os alunos com dificuldades e assim
por diante.
Parece que o trabalho é interminável.Apesar de tudo, trata-se
de uma atividade ocupacional altamente apaixonante. E, como toda paixão (gr.
Pathos = sofrimento, patologia), por vezes pode levar o sujeito a perder o senso
de cálculo racional e ético para regular essa paixão. Pior, perde-se a noção de
profissionalismo, sujeitando-se a trabalhos extras não remunerados acreditando
que sejam parte de sua função como docente.
É claro que neste ponto, às vezes, o que influencia é o medo
de perder o emprego, outro fator de estresse. A essa altura você deve estar
perguntando: e a morte? Onde ela entra nessa história?
Para responder a essa pergunta é bom ressaltar que o estresse
em si mesmo não é um mal, ou uma doença, patologia. "É uma condição adaptativa
do organismo e do psiquismo humano funcionando à sua maneira" , como observou,
pela primeira vez, Hans Selye. Mas o estresse pode ser a ante-sala de possíveis
doenças (patologias), ou melhor, de doenças psicossomáticas, como conseqüência
de um modo errado de viver.
Agora, se o estresse for levado de forma displicente ou
alienada, por longo tempo, pode provocar reações crônicas, como as doenças
coronarianas (infarto) e transtornos mentais. Quando ocorre a ruptura total dos
limites, o esgotamento e o desgaste, temos uma reação do estresse crônico
denominada pelos pesquisadores de "burnot" que exige a urgente necessidade de
intervenção terapêutica de profissional da saúde.
Paradoxalmente quando o estresse é mantido e reforçado por pressão ambiental; o
indivíduo, ao invés de procurar situações antiestresse, tende a fazer o
contrário, ou seja, termina por aumentar ainda mais o seu grau de estresse,
geralmente trabalhando mais ainda, tomando café em excesso, alimentando-se mal e
não conseguindo ter hábitos saudáveis de existência - atividade física, boa
alimentação, lazer -.
Parece pesado pensar em morte por estresse, ou paixão pelo trabalho, mas reflita
um pouco sobre seu dia-a-dia e veja se você não se encaixa, parcial ou
integralmente nas situações descritas no texto. Pense se você nunca sentiu
vontade de sair de determinada classe dizendo aqui eu não volto mais, ou, antes
de sair de sua casa você não rezou para que Deus lhe desse paciência e
equilíbrio para "enfrentar" determinada classe.
Ao final do ano letivo essa situação de estresse se aflora e acreditamos que o
primeiro passo para não "estourar" é tomar consciência do problema e o segundo é
tentar mudar seus hábitos de vida, buscando nas atividades físicas, numa boa
alimentação, e na forma de lazer que mais lhe agrada escapar dessa "paixão
mortal" e buscar o equilíbrio profissional necessário.
Texto do Professor Wilson Kraciunas
baseado no texto:
O professor e o estresse de Raymundo de Lima. Revista Universidade e Sociedade,
Ano 13, Número 17, Junho de 1998.
www.pec.uem.br/revista/revista17/artigo07.htm |