Jornal SINPRONANET

5) A necessária valorização dos Professores e Auxiliares em Ensino e Educação no Brasil.

Todos que já passaram dos quarenta anos podem lembrar que quando éramos estudantes e até recentemente, as informações eram socializadas em sala de aula, através do quadro negro, onde se escrevia com giz branco (era uma festa quando havia o giz colorido).

Atualmente, o giz e o quadro, estão sendo considerados por muitos como instrumentos rudimentares de ensino, meios que já estariam ultrapassados. Na “escola moderna” escreve-se em quadro branco com pincéis coloridos, usam-se recursos mais avançados, como a transparência e uso do data-show, um dos ícones da modernidade,torna-se cada vez mais comum.

O computador tornou-se instrumento fundamental para pesquisas, quando o aluno não sabe, ele “pergunta ao google”, porque de alguma forma certa ou errada, ele acaba trazendo uma resposta ou uma pesquisa pronta, feita sempre em tempo recorde e como regra geral sem nenhum critério ético de respeito as fontes pesquisadas.

Mas ao mesmo tempo em que vemos o nosso querido quadro negro cair em desuso, vemos também com muita angústia que é cada vez mais comum a leitura de que existem “cada vez um número menor de pessoas dispostas a  entrar para o magistério,a crise na educação caminha para um cenário crítico, muitos professores doutores agora escondem o título de doutor para não ficarem desempregados no Ensino Superior Particular.

Assistimos ainda a enorme expansão do  Ensino à Distância em nosso paios, que ao mesmo tempo que habilita em quantidade, reduz o mercado de trabalho dos professores e auxiliares,  e como regra geral joga no mercado grande número de profissionais de menor qualificação: pesquisadores calculam que, se nada for tentado, a profissão de professor universitário corre o risco de sofrer uma brutal redução de quadros  em pouco mais de 10 anos.

Está claro que esta visão é a mais apocalíptica, professor nunca deixará de existir, mas este panorama educacional do Brasil foi revelado a partir de um estudo feito sobre o ensino básico em São Paulo, nas escolas públicas e privadas. Então não está sendo retratado o pior cenário de uma região subdesenvolvida do Brasil, como alguém poderia supor.

Uma reportagem diz que os professores, especialmente os da rede pública, andam assustados e desestimulados e, sobretudo, com medo de lidar com os alunos de periferia.

A falta de respeito, o desinteresse do aluno e a dificuldade de relacionamento amedrontam e desestimulam o professor. É cada vez maior a quantidade de professores que se vêem obrigados a se afastarem de suas atividades em sala de aula em razão da depressão e síndrome do pânico.

Um destes chegou a dizer que entrou num processo de baixa auto-estima e de depressão, por ter estudado tanto e ter de sucatear o trabalho por causa de um sistema ineficaz, completando: “Você não consegue falar, não consegue dar aula, porque a escola virou depósito de alunos”.

Muitos pais delegam em suas casas,  à televisão,  ao vídeo game e ao computador a tarefa de entreter os seus filhos, e depois os “depositam” na maior parte do tempo possível na Escola regular e em cursos extra curriculares de línguas, computação, esportes, balés, etc. Visando cada vez mais se isentar de suas responsabilidades na educação de seus filhos, terceirizando responsabilidades.

Quando alguma coisa sai errada a culpa passa a ser da escola e principalmente do professor “que não educou o seu filho”.
Se pensarmos que a situação da escola particular está diferente, de acordo com a reportagem, isto é um engano.

Segundo o depoimento, a aula tem que ser “bom-bom”: você abre, dá duas mordidas e ponto final.

Para o pesquisador Paulo Gaudêncio, da USP, o professor da rede privada também se sente desamparado, já que nos eventuais choques com o aluno-cliente, é sempre ele a parte mais fraca.

Estamos vivendo uma inversão total de valores, nos ambientes de ensino, com uma geração que não aprendeu a se colocar limites, nem tem competência para superar frustrações. 

Em caso recente das agressões em uma empregada doméstica em um ponto de ônibus do Rio de Janeiro, provocado por jovens de classe média alta, os pais vieram em defesa dos filhos, indignados contra a prisão deles junto com “marginais” pobres. Pobres são estes pais que nunca deram limites aos seus filhos.

É claro que existem exceções, mas apenas confirmam as constatações e estes casos raros de sucesso são muito mais freqüentes na escola particular do que na pública.

Esse triste retrato que se apresenta, afirmando que a profissão está em vias de extinção resultou de uma pesquisa feita pelo Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE), demonstrando em estatísticas o desinteresse da juventude pela profissão: é inexpressivo o número de jovens que ingressa na profissão desde 2003. A projeção dos analistas é alarmante, mas talvez sirva para que a sociedade atente para o fato.

Sem um sistema educativo eficiente, não chegaremos como país a lugar nenhum. Ouvimos em propagandas políticas que o Brasil precisa investir na modernização de suas indústrias. Mas como ter um moderno e competitivo  parque industrial, sem mão-de-obra qualificada? 

Muitos países superaram em poucas décadas problemas relacionados com o subdesenvolvimento através de grandes investimentos no setor educacional que passou a ser tratado como prioridade absoluta. Foi o caso da Espanha, da Coréia  do Sul e da República da Irlanda (EIRE), que já vem sendo chamado o Tigre Celta, por sua competitividade industrial.

O Eire era um país que apenas fornecia emigrantes ao mundo, sobretudo aos Estados Unidos, e conseguiu inverter o fluxo de perdas populacionais, passando a ser considerado um verdadeiro centro de pesquisadores, estudiosos e também daqueles que querem apenas um emprego digno. Tudo isso por ter organizado e dinamizado seu sistema educativo, democratizando o acesso a um ensino de qualidade. 

Mas, para que o Brasil possa chegar nesta condição é necessário dar o devido reconhecimento a todos os que estão envolvidos na Educação.Todos professores e auxiliares em educação e ensino, de todos os níveis e graus, merecem serem preparados, valorizados, bem pagos, de forma que lhes seja devolvida a auto-estima, se isto não for feito nunca será possível o resgate da nossa dignidade profissional.

Trabalhar com educação é escolha e vocação, mas nada resiste à desvalorização social.